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quarta-feira, maio 17, 2006

1986



Recebi isto por email:

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje.
Isto porque: As nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos. Não tínhamos frascos de medicamento com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas. Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes. Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags - viajar à frente era um bónus. Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso. Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.
Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso. Não tínhamos PlayStation, XBox. Nada de 40 canais de televisão, jogos de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet. Tínhamos amigos e se os quiséssemos encontrar íamos á rua. Jogávamos ao elástico e à barra e à bola, até doía! Caíamos das arvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas
sempre sem processos em tribunal. Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.
Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não, íamos a pé para a escola; não esperávamos que a
mamã ou o papá nos levassem. Criávamos jogos com paus e bolas. Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre. Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.


Isto é o percurso normal da evolução.
Estamos cada vez mais num mundo em que sacrificamos privacidade em nome da segurança. Se acham que nos passados 20 anos houve uma transformação enorme, então esperem mais 10 e verão em que ponto isto vai estar.

Agora, será que isto é mau?
Sem dúvida que gostei de como passei a minha infância. Embora menos contactáveis e menos seguros, aprendíamos outras coisas como o texto acima diz. É como o caso de combinar um encontro e depois se alguém está 1 minuto atrasado, telefona-se a ver onde é que está. Para obter a resposta: “pá, estou um pouco atrasado, já aí apareço!”. Claro, isso já sabíamos antes de telefonar. Dantes acontecia o mesmo e limitávamo-nos a esperar.
Quererá isto dizer que a evolução torna a nossa vida mais “stressada”? Mais segura, sem dúvida, mas menos “responsável” e “criativa”?


Got this by email:

In accordance with the regulators and bureaucrats of today, all we who borned in the 60's, 70's and beginning of 80's should not have survived until today. This because: Ours cradles were painted with pretty colors in ink with lead base that we many times licked and bit. We did not have medicine bottles with protection covers or latchs in the closets and we could play with pans. When we bicked, we did not use helmets. When we were small, we travelled in cars without belts and airbags - and travelling in the front seat was a bonus. We drank water of the hose of the garden and not of the bottle and it tasted well. We ate fry potatoes, bread with butter and we drank soda with sugar, but we never got fat because we were always playing outside. We shared bottles and cups with friends and we never die of that. We spent hours making cars that we would take down the hill at great speed, for later rememberer that we forgot to mount brakes. After finishing in one wall we learned. We used to leave the house in the morning and play all the day, once we would be back in house before dark. We were unreacheable and nobody cared. We did not have PlayStation or XBox. No 40 television channels, video games, home cinema, cell phones, computers, DVD, chat in the Internet. We had friends and if we wanted to find them we would go outside. We fell of trees, cut ourselfs, and broke bones without processes in the court of law. We knocked on the neighbors' doors and ran away fearing to be caught. We walked to the house of our friends. We even walked to school. We created games with woods and balls.

This generation produced the best disentangled inventors ever. The last 50 years have been a new explosion of innovation and ideas. We had freedom, failure, success and responsibility and learn to deal with everything.


This is the normal way of evolution.
We are, each time more, in a world where we sacrifice privacy on behalf of security.
If you think that the pasts 20 years had an enormous transformation, then wait 10 more and you'll see where it will be.

But, is this bad?
Without a doubt that I liked I spent my infancy. Now, if we arrange a meeting and if somebody is 1 minute late, we call him to see where he is. To get the reply: “I am a little delayed, I'll be there in a while”. Clearly, this we already knew before calling. Before, in the same situation, we would just wait, not making a big problem of it.
Does this mean that evolution turns our life more “stressed”? More secure, without a doubt, but less “responsible” and “creative”?

4 comentários:

Queremos crianças tão perfeitas que as ocupamos até à exaustão. Depois não conseguem aprender que viver comporta riscos e que esta aprendizagem se faz no terreno!

O que me aborrece é esta tentativa em marcha de regular a nossa vida privada, claro que em nome da dita segurança. Prefiro uma dose de loucura saudável e continuar a arriscar!

Mas... há um senão. Não falta só espaço às crianças, mas desafios, os pais centram-se demasiado nas suas vidas e depois eles não querem arriscar nada. Em França os jovens sairam para exigir que a vida não mudasse e não para exigir mudança!

Outros tempos, outras soluções... Cai sobre ti uma grande responsabilidade, vais ser pai!

Bjs

Maria
por Anonymous Anónimo, Às 10:02 da manhã  
Hahhahaha....
Pois vais...e quando "olftaleares" a mer... das fraldas...e os berros ás tantas da noite..e não conseguires dormir...e quando...

E então chegarás á conclusão depois de tudo isso...como é bonito ser pai..(acho)

Jacks
por Anonymous Anónimo, Às 11:43 da manhã  
Maria: O manter privada a nossa vida privada é cada vez mais difícil. A evolução faz com que andemos apetrechados de sofisticados aparelhos que nos dão/permitem fazer um monte de coisas mas deitam a nossa privacidade fora, como se estivesse ali a estorvar. Um telemóvel é um bom exemplo! Mas poderemos saber optar. Podemos saber tirar partido das inúmeras qualidades de todas estas coisas que mudaram desde que nós eramos crianças sem que isso nos torne num ser monótono. Não? Eu quero acreditar que sim.
Claro que sim. É uma profunda estupidez desejar o passado. O fundamental é aprender a viver com os desafios do futuro. Decididamente não sou uma nostálgica do passado e não digo que antes é que era bom.
A dificuldade está em personalizar o presente e o futuro, gerindo de forma inteligente a tecnologia, colocando-a ao nosso serviço e não nos submetendo à sua ditadura!
O que é preciso é inventar novas formas. A imaginação ao poder! Como esta frase é tão actual num mundo em que o poder é tão cinzento!!!
Bjs
Maria
por Anonymous Anónimo, Às 8:13 da manhã  

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